02/05/2021

LIVROS | OS LIVROS QUE DEVORARAM O MEU PAI, AFONSO CRUZ

os livros que devoraram o meu pai, afonso cruz

Reler um livro não costuma ser um hábito meu. Mas, há uns aos quais sabe sempre bem voltar. Como é o caso de Os Livros Que Devoraram O Meu Pai, de Afonso Cruz.

Li este livro há uns bons anos. Já não sei precisar quando foi e na altura não apontava as minhas leituras. Foi amor às primeiras páginas. Também foi o livro com que descobri a escrita fantástica e inspiradora de Afonso Cruz. O primeiro de muitos.

Tal como o nome indica é um livro com muitos livros. E a história devora-nos por completo. Elias Bonfim leva-nos numa viagem com ponto de partida na biblioteca no sótão da avó. Pelo caminho, vamos saltitando de livro em livro e travando conhecimentos com algumas personagens da literatura, nos mais variados cenários que estão escondidos em cada obra. O objetivo da viagem é só um: descobrir Vivaldo Bonfim, pai de Elias que, como o título nos conta, foi devorado por livros.

Uma metáfora interessante para qualquer leitor. Já que, por norma, somos nós que devoramos os livros. Mas, vendo bem as coisas e olhando para isto de ser amante de livros por outra perspetiva, talvez faça sentido o conceito de sermos devorados por livros. Até porque acabamos por entrar numa espiral sem fim de histórias, cenários e personagens que acabam por se tornar parte de nós. Daquilo que somos, como pensamos, como agimos. Às vezes também nos refugiamos nos livros. Seja à procura de abrigo, de consolo ou de inspiração. No fundo, devoramos os livros e somos devorados por eles. Acaba por ser uma fusão onde nos deixamos confundir com as histórias que lemos e deixamos que todas aquelas palavrinhas façam parte de nós.

Reler não é um hábito, mas voltar a Os Livros Que Devoraram O Meu Pai soube-me muito bem. As culpadas desta releitura foram a Rita da Nova e a Andreia Morais. A Rita disse que abril era para ler um livro sobre livros, para o desafio Uma Dúzia de Livros. Já a Andreia disse que este era o mês de Leiria e teríamos de escolher um livro para reler, para o desafio Alma Lusitana. Claro que numa cidade que gosto tanto e que me diz tanto, tinha de reler um dos meu preferidos e coincidiu enquadrar-se nos dois desafios.

Além disso, abril também é o mês do meu aniversário, um dia antes do Dia Mundial do Livro. Então encontrei a altura ideal para esta releitura. Apesar de ser um livro pequeno, dividi-o em dois dias. No meu e no dos livros. E foi a melhor forma de celebrar tanto um como o outro.

2 comentários

  1. Embora não releia tanto, é algo que me entusiasma bastante, porque é outra forma de descobrirmos as histórias com as quais já nos cruzamos!
    Este livro é um pedaço de amor e é fascinante como, num espaço aparentemente tão curto [a nível de páginas], somos conquistados pela profundidade da história. Este ainda não reli, mas hei-de fazê-lo <3

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Este é daqueles que vale sempre a pena reler. E como é pequeno ainda ajuda mais :D

      Eliminar

Mergulhas?

© Maresia
Maira Gall