Olha para a janela e lá está a vizinha do prédio da frente, na sua estranha rotina matinal. Calça os sapatos, ajeita a saia, abre o armário da entrada e finge tirar algo que coloca nas costas. Depois, sacode o cabelo, sai de casa e sobe a rua, quase sem os pés tocarem no chão. Mais parece ir a voar. Todos os dias repete os mesmos gestos. Todos os dias sai de casa com um sorriso rasgado e uma luz que sobrevive, até, aos dias mais escuros.
Sente um fascínio difícil de explicar pela vizinha. Pouco sabe sobre aquela mulher sem nome. Sabe apenas que algo a atrai, transmite força e dedicação e lhe dá uma vontade estranha e desconfortável de ser como ela. Tudo o resto é uma interrogação. Desconhece-lhe os pensamentos, profissão e qualquer pedaço da sua história.
Não imagina o que a vizinha já passou. Todas as lutas, todas as derrotas, todas as insónias. Todas as vezes que esteve a um pequeno passo de desistir. Tal como não faz ideia que o gesto meio louco de fingir tirar algo do armário é o símbolo da sua coragem e a diferença entre as duas, a linha ténue entre o ver e não de duas realidades díspares.
A mulher da janela nada vê, porque vive aprisionada entre (pre)conceitos que a fazem acreditar que tem de seguir regras apertadas e ser um peão nos ideais desatualizados da sociedade. Por seu turno, a vizinha vê uma capa brilhante e colorida de super heroína, de quem nasceu para lutar, quebrar barreiras, seguir os sonhos.
A mulher sem nome tem uma capa só sua. Uma capa invisível aos olhos de quem tem o pensamento fechado. A mulher sem nome parece voar, porque o chão não lhe basta. A mulher sem nome é tantas vezes incompreendida porque muita gente não tem a capacidade de viver os sonhos ao invés de viver a sonhar. A mulher sem nome, não tem nome porque é um símbolo, porque é mais que um título, é uma filosofia. E lá seguiu a voar rua fora, a colorir o mundo com a sua capa visível só para quem quer ver.
Marisa
A mulher da janela nada vê, porque vive aprisionada entre (pre)conceitos que a fazem acreditar que tem de seguir regras apertadas e ser um peão nos ideais desatualizados da sociedade. Por seu turno, a vizinha vê uma capa brilhante e colorida de super heroína, de quem nasceu para lutar, quebrar barreiras, seguir os sonhos.
A mulher sem nome tem uma capa só sua. Uma capa invisível aos olhos de quem tem o pensamento fechado. A mulher sem nome parece voar, porque o chão não lhe basta. A mulher sem nome é tantas vezes incompreendida porque muita gente não tem a capacidade de viver os sonhos ao invés de viver a sonhar. A mulher sem nome, não tem nome porque é um símbolo, porque é mais que um título, é uma filosofia. E lá seguiu a voar rua fora, a colorir o mundo com a sua capa visível só para quem quer ver.
Marisa
Quantas lutas não travamos em silêncio, sendo os nossos super-heróis!
ResponderEliminarAdorei o texto *-*
Obrigada *-*
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